Egípcios: Os antigos astrônomos e seus estudos sobre o universo

Para os nossos antepassados, principalmente os Egípcios, o céu e a terra, os humanos e os deuses, e os animais e plantas eram todas partes de um ambiente interagente, uma conexão única com o universo.

O Sol, a Lua e as estrelas forneciam calor e luz, permitindo que as criaturas vivas prosperassem.

Seus padrões regulares de movimento e mudança significavam que poderiam ser usados ​​como bússolas, relógios e calendários.

A “utilidade” percebida das estrelas e planetas variou de lugar para lugar dentro do mundo antigo. Os Egipcios que vivem em grandes rios, como o Eufrates e o Nilo, no Oriente Médio, são mais influenciados pelos níveis de chuva e rio do que pelas estações do ano.

Os Antigos egípcios criaram os hieróglifos, uma forma de escrita mais vulnerável que a dos Mesopotâmios pois era feita em papiros. Muitas informações contidas nos papiros se perderam com o tempo, impedindo uma melhor comparação entre os conhecimentos astronômicos dos egípcios e dos Mesopotâmios.

Zodíaco de Dendera, O calendario Egípcio – Em uma capela de Osíris no templo de Dendera descobriu-se um relevo que representa os pontos cardeais e os 36 reitores.

Egípcios: Os antigos astrônomos

Zodíaco de Dendera

No calendário egípcio o ano civil tinha 360 dias e era dividido em 12 meses de 30 dias cada um. Haviam 3 estações: a Inundação, o Inverno (saída das águas, e o Verão (falta de água). Além dos 360 dias de cada ano, consideravam mais 5 dias entre um ano e outro (dias epagômenos).

Como o ano civil com 265 dias é mais curto que o ano solar em aproximadamente ¼ de dia, 120 anos após coincidir o início do ano astronômico com o ano civil, o primeiro estava retardado em um mês, sendo nescessário1456 anos para ocorrer uma nova coincidência.

Determinaram a duração do ano através dos nasceres helíacos da estrela Sírius, que chamavam de “Sótis” ou “Sepedet”. A saída ou o aparecimento de tal estrela determinava o início do ano.

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Estrela Sírius

As águas do Nilo iriam cobrir as terras, onde mais tarde seria feito o plantio, no primeiro dia do primeiro ano do primeiro mês da estação da Inundação. Os 1456 anos necessários para a tal coincidência eram comemorados com grandes festas. Esse período, chamado de Sotíaco, é importante para o estudo a história e cronologia egípcia.

A importância da lua

Nos tempos mesolíticos, cerca de 10.000 anos atrás, muitas pessoas viviam perto do mar. Nas áreas costeiras, as pessoas notaram que as marés eram excepcionalmente altas ou baixas em determinados momentos do mês e estavam ligadas às fases lunares. Essas marés são agora conhecidas como marés de primavera e maré e teriam afetado a pesca, a coleta de conchas e até mesmo as oportunidades de transporte.

A lua cheia, agindo como uma “luz da noite”, teria afetado a forma como as pessoas viviam, assim como suas tarefas diárias teriam sido governadas pelo número de horas de luz do dia.

Os Egípcios Possuíam um calendário utilizado especialmente para fins religiosos, baseado nas lunações. Neste calendário, 25 anos correspondiam a 309 lunações, que, por sua vez, correspondiam a 9.125 dias, divididos em grupos de meses com 29 e 30 dias alternadamente.

Nabta Playa ou “calendário em círculo”, era uma estrutura formada por pedra que os Egípcios utilizavam para mapear o nascer do sol, meio-dia e pôr do sol; e suas atividades determinadas por um calendário solar e lunar.

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Nabta Playa, que ficava no Deserto Núbio na região leste do deserto do Saara, e ao nordeste do Rio Nilo.

Encontrando Padrões

Há muito tempo atrás, pessoas observando as fases da Lua teriam notado que um padrão regular ocorria a cada 15, 30, 44, 59, 74 dias etc. O intervalo entre luas cheias sucessivas, estabelecendo o conceito que mais tarde se tornaria conhecido como “mês”.

É importante notar que as posições dos corpos celestes são previsíveis; tanto o Sol quanto a Lua se erguem no leste em horários regulares. Desconecte os caprichos do clima e das relações humanas, e o céu é confiável. Os observadores mais tarde perceberiam o tempo entre o meio do verão e o outro era de 365 dias.

Usando o Sol como um relógio

No meio do verão, o Sol atinge sua máxima elevação no meio-dia fora dos trópicos. No meio do inverno, 183 dias depois, o Sol é o mais baixo no meio-dia do céu. A idéia de usar o movimento do Sol como um relógio começou com observações de como uma sombra projetada por um objeto vertical aponta (no hemisfério norte) em direção ao horizonte ocidental ao nascer do sol e ao norte ao meio-dia.

A cada hora a sombra se move mais adiante, agindo como um relógio de sol. Da mesma forma, a maioria das estrelas viaja pelo céu. Uma linha imaginada de qualquer uma dessas estrelas para o pólo celeste funciona como a mão de um relógio gigantesco.

Investigadores russos encontraram no Egito, mapas astronómicos de surpreendente precisão, com a posição das estrelas milhares de anos atrás.

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Teto astronômico no túmulo de Senenmut

Também encontraram lentes de vidro,  esféricas, de grande precisão, possivelmente utilizadas em telescópios. As  lentes só se podem polir com um produto abrasivo: óxido de césio, que só se  produz com o auxílio da eletricidade. 

Orientação dos templos

De acordo com pesquisadores, os templos solares egípcios estavam orientados de forma que no nascer e no pôr do sol do dia mais longo do ano, um raio de sol atravessava um corredor habilmente construído que comunicava com o interior do templo.

Além disso, a  intensidade da luz vai “crescendo” até um máximo que coincide com o momento exato do solstício, e depois diminui até desaparecer. Assim, os  sacerdotes podiam determinar a duração do ano com precisão do minuto.

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Templo de Amon-Ra em Karnak

O templo de Amon-Ra em Karnak foi construído de modo que no nascer e no pôr do sol do  solstício de verão, a luz solar entrava no templo através do eixo do santuário. De acordo com pesquisadores era um instrumento científico com uma precisão muito elevada, porque com ele poderia determinar-se a duração do ano com uma precisão  considerável. 

A Grande Pirâmide como Observatório Astronómico

A Grande Pirâmide de Gizé foi utilizada como um observatório  astronómico, quando o nível atingiu o teto superior da grande galeria, sendo  então uma ampla superfície elevada e quadrada.

A passagem ascendente está construída com uma inclinação idêntica à da passagem  descendente que já estudamos antes. Isso pode ter sido feito por meio de um  feixe de luz reflectido numa superfície líquida.

A Grande Pirâmide de Gizé

A Grande Pirâmide de Gizé

A grande galeria está orientada por este método para o meridiano Sul. A passagem também é extremamente recta, há apenas meio milímetro de erro na sua rota.  Assim, um observador situado no início da galeria, assumindo que esta não tinha teto, teria conhecimento do meridiano do lugar, e poderia assim anotar as passagens das várias estrelas pelo meridiano. Se conhecemos a latitude, podemos determinar a declinação da estrela, ou altura acima da eclíptica, e vice-versa. 

 A grande galeria tem uma forma especial que permite moldar uma graduação da  declinação das estrelas. As pedras do teto da galeria não se apoiam umas nas  outras, mas movem-se de forma independente e podem ser removidas para ter uma  visão mais ampla do meridiano, e inclusive pode até mesmo mover-se apenas uma pedra, para aí centralizar as observações.

Com ampulhetas podem-se anotar os  tempos das passagens pelo meridiano. Com sete observadores pode-se observar nos  sete níveis diferentes da galeria. Na superfície superior podem-se calcular azimutes. 

Kate Spence, da Universidade de Cambridge, desenvolveu essa teoria quando tentava explicar os desvios no alinhamento da base de várias pirâmides em relação ao pólo norte. 

Ela acredita que os Egípcios podem ter sido usadas duas estrelas muito brilhantes, que em 2.467 AC estavam perfeitamente alinhadas entre si e o pólo norte. 

“Nós sabemos que os antigos egípcios estavam extremamente interessados no céu, em especial nas estrelas no céu do Círculo Polar”, disse a pesquisadora. “Os egípcios sempre se referiam a elas como ‘As Indestrutíveis'”. 

Com isso, essas estrelas se tornaram intimamente associadas com a Eternidade e a vida do rei depois da morte. Assim, depois da morte, o rei esperava se juntar às estrelas do céu do Círculo Polar, por isso as pirâmides foram construídas voltadas para elas.