NASA seleciona 17 empresas para o desenvolvimento de tecnologias lunares

A NASA selecionou 17 empresas dos americanas para 20 parcerias para amadurecer tecnologias espaciais desenvolvidas pela indústria para as missões na Lua.

As propostas selecionadas são relevantes para as áreas temáticas de tecnologia descritas na solicitação, incluindo:

1- Gerenciamento e propulsão de fluidos criogênicos; 
2 – Propulsão avançada; 
3 – Energia sustentável; 
4 – Produção in-situ de propelente e consumíveis; 
5 – Sistemas inteligentes/resilientes e robótica avançada; 
6 – Materiais e estruturas avançadas; 
7 – Entrada, descida e pouso; 
8 – Pequenas tecnologias de espaçonaves.

As seleções resultarão em um acordo chamado de Ato Espacial entre as empresas e a NASA

A NASA trabalhará com as empresas para fornecer experiência e acesso às instalações de teste exclusivas da agência. O valor total estimado dos recursos da agência para apoiar os acordos é de aproximadamente US $ 15,5 milhões, disse a NASA.

Confira as empresas selecionadas e as propostas:

Blue Origin em Kent, Washington: a Blue Origin vai trabalhar em parceria com o Ames, Goddard e Johnson Space Center em um sistema operacional de robô espacial. Ao trabalhar a construção em softwares open-source, o projeto busca programar inteligência robótica e autonomia enquanto reduz os custos de operação e permite que os robôs trabalhem com outros sistemas espaciais.

Blue Moon (spacecraft) da Blue Origin
Blue Moon (spacecraft) da Blue Origin

A empresa também vai colaborar com o Marshall Space Flight Center para melhorar o design dos motores com produção extra com metal. A fabricação, processamento e testes das partes do motor feitas com impressão 3D vão ajudar a otimizar o peso, a eficiência do motor e a capacidade de fabricação enquanto minimiza os custos da produção.

Aerojet Rocketdyne em Redmond, Washington: um novo propelente híbrido de líquido verde iônico e hidrazina convencional podem fornecer vapor de baixa toxidade e impulso específico de alta densidade enquanto retém chamas baixas e temperaturas de pré-aquecimento.

A Aerojet vai aplicar as lições que aprendeu com o sucesso da missão Green Propellant Infusion e irá trabalhar com o Goddard Space Flight Center para desenvolver o combustível para motores existentes para impulsionar pequenas futuras naves no espaço profundo.

Ahmic Aerospace em Oakwood, Ohio: sistemas de proteção térmica protegem os foguetes e naves do calor extremo que ocorre durante o lançamento e a reentrada atmosférica. Nessa parceria com o Ames Research Center, a Ahmic vai testar hardware e coletar dados para entender como ele se comporta sob essas condições. Os dados vão informar futuros métodos de teste para caracterizar e qualificar materiais de proteção térmica.

AI SpaceFactory em Secaucus, New Jersey: a AI SpaceFactory vai colaborar com o Kennedy Space Center para desenvolver um novo material lunar relevante. Com o material, a equipe vai realizar impressões em 3D para testar uma estrutura em uma câmara de vácuo que imita as condições ambientais da Lua.

A pesquisa pode apresentar um sistema de impressão 3D capaz de construir grandes superfícies a partir de materiais locais disponíveis em outros mundos. Já na Terra, o material da impressão 3D de alta performance pode beneficiar a indústria de construção por simplificar as cadeias de fornecimento e reduzir o desperdício.

Box Elder Innovations em Corinne, Utah: essa pequena empresa vai trabalhar com o Glenn Research Center para pesquisar e otimizar materiais dielétricos — um tipo de isolamento elétrico — para aeronaves, espaçonaves e sistemas de energia lunares. Os testes dos materiais em ambientes espaciais relevantes vai ajudar a caracterizá-los e qualificá-los para a NASA e uso comercial.

Cornerstone Research Group em Miamisburg, Ohio: a fabricação aditiva de resinas termofixas à base de lama pode avançar a fabricação de sistemas de proteção térmica. A Cornerstone Research Group vai trabalhar em parceria com centros da NASA para testar e avaliar o desempenho do material em ambientes relevantes para voos com as instalações da agência e especialistas do Johnson e Ames.

Elementum 3D em Erie, Colorado: a empresa vai trabalhar com o Marshall para aumentar o desempenho e reduzir o custo de materiais de alumínio produzidos aditivamente.

Essa parceria busca avançar na deposição de energia direcionada em larga escala — um processo de fabricação aditiva — de ligas de alumínio de alta resistência para componentes complexos de foguetes e estruturas de lançamento. Essa capacidade poderia ter uso amplo pelas indústrias, aeroespacial, automotiva, entre outras.

Gloyer-Taylor Laboratories em Tullahoma, Tennessee: a empresa desenvolveu um modelo e uma ferramenta de simulação para processar dinâmicas de fluido computacionais de alta precisão e estabilizar os designs dos sistemas de produção. A Gloyer-Taylor Laboratories vai trabalhar em parceria com o Marshall para validar essas ferramentas e acelerar o uso nos sistemas espaciais.

IN Space em West Lafayette, Indiana: os motores rotativos de detonação — um conceito de motor de foguete — podem alcançar impulsos específicos maiores do que aqueles que os sistemas atuais permitem, o que permitiria que as naves operem com maiores tripulações e menos massa. A IN Space vai trabalhar com o Marshall para explorar a produção de uma câmara de resfriamento com capacidade regenerativa.

Orbital Sciences Corporation (Northrop Grumman Space Systems) em Dulles, Virginia: a empresa vai realizar uma parceria com o Glenn para desenvolver um pequeno sistema de propulsão elétrica para espaçonaves que forneça propelente acessível, eficiente e com alto rendimento para futuras missões. O sistema de baixo consumo de energia cabe bem em pequenas naves destinadas a explorar a Lua, Marte e além.

pH Matter em Columbus, Ohio: com a soma de U$ 3,4 milhões recebidos sob a iniciativa Tipping Point, a pH Matter vai realizar uma parceria com os centros Johnson e Glenn para definir composições contaminantes da água lunar e especificações de pilhas de células para a produção de hidrogênio e oxigênio tanto para o armazenamento de energia quanto para aplicações de propelente.

A tecnologia vai permitir sistemas mais simples para o armazenamento de energia lunar e uso dos recursos disponíveis na Lua.

Phase Four em El Segundo, Califórnia: essa empresa desenvolveu um novo sistema de propulsão elétrica para missões de longa duração de pequenas espaçonaves. A Fase Quatro vai trabalhar com o centro Glenn para testar o propulsor de frequência de rádio e estimar a vida útil esperada do projeto. O centro Glenn também vai caracterizar a pluma de plasma do propulsor para otimizar o sistema.

Rocket Lab USA em Long Beach, Califórnia: a Rocket Lab está desenvolvendo um sistema de recuperação para o primeiro estágio do foguete Electron para reutilizar motores, controladores de motor e conjuntos de baterias.

A pequena fornecedora de lançamentos de satélites vai fazer parcerias com os centros Ames, Langley e o Armstrong Flight Research Center da NASA para software de voo, análise aerotérmica, projeto de desacelerador e um sistema de detecção de fibra óptica.

O sistema de recuperação permitirá lançamentos mais frequentes e com menos custos para clientes governamentais e comerciais. Também permitirá retornar cargas úteis da Estação Espacial Internacional, sistemas de entrada para pequenas espaçonaves e um teste de voo para desenvolver tecnologias relacionadas de entrada, descida e aterrissagem.

Sensuron em Austin, Texas: trabalhando com os centros Armstrong, Langley e Glenn. A Sensuron vai desenvolver uma mini solução de monitoramento de temperatura com um sistema de sensores de fibra ótica. A tecnologia foi criada para monitorar os níveis criogênicos de propelente e determinar a integridade estrutural de um tanque de combustível durante missões estendidas.

Space Exploration Technologies Corp. (SpaceX) em Hawthorne, Califórnia: a SpaceX vai trabalhar em parceria com o centro Langley para coletar imagens e medidas térmicas do veículo Starship durante a reentrada orbital no Oceano Pacífico. Com os dados, a empresa planeja desenvolver um sistema de proteção térmico reutilizável, que proteja o veículo do calor aerodinâmico para missões retornando da órbita baixa da Terra, Lua e Marte.

Space Systems Loral (Maxar Technologies) em Palo Alto, Califórnia: a Maxar vai aproveitar as instalações do centro Glenn para expor sujeitar um modelo parecido àquele de uma demonstração de voo a simulações de regolito lunar no vácuo. Um mecanismo vai pulsar mecanicamente o sistema — em vários níveis — para tentar sacudir a poeira.

Essa tecnologia oferece uma solução potencialmente simples para remover a poeira de painéis solares planetários. A empresa também vai testar a prevenção à erosão dos materiais causada pelas plumas do propulsor pelo efeito Hall, além de um sistema de regulação de pressão para permitir missões de propulsão solar elétrica de alta energia.

Stellar Exploration, Inc. em San Luis Obispo, Califórnia: a empresa vai atuar com os centros Ames, Johnson, e Goddard para realizar testes de qualificação em um sistema de propulsão de nanossatélites de alta performance. Testes em câmara a vácuo vão apresentar a performance e tempo de vida estimado do sistema.

Fonte: NASA