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Jenifer Millard – Descobriu “A quase-lua escondida da Terra” – Spacebetween

Jenifer Millard – Descobriu “A quase-lua escondida da Terra”

Hoje o SpaceBetween conversa com a astrônoma Jenifer Millard, uma das cientistas responsáveis por uma descoberta que reacendeu o fascínio por nossos vizinhos cósmicos: uma quase-lua escondida que acompanha a Terra silenciosamente há décadas. O pequeno corpo celeste, batizado de 2025 PN7, orbita o Sol quase no mesmo ritmo que o nosso planeta, o que o faz parecer “seguir” a Terra em sua jornada cósmica — sem, no entanto, ser uma lua verdadeira.

A descoberta revelou que o espaço ao redor do nosso planeta é mais dinâmico e misterioso do que imaginávamos. Enquanto nossa Lua domina os céus, esse companheiro discreto permaneceu invisível, orbitando junto conosco por mais de 60 anos.

Agora, com observações mais precisas e novas tecnologias de rastreamento, cientistas começam a compreender melhor o comportamento desses quasi-satélites — e o que eles podem nos ensinar sobre a formação do Sistema Solar.

Nesta entrevista, Jenifer Millard fala sobre a descoberta, explica o que são as quase-luas, e comenta como esse pequeno asteroide revela um novo capítulo na história da Terra e de seu entorno celeste.


1)Jenifer, para começar: poderia explicar de forma simples o que significa esse termo “quase-lua” que está sendo usado para descrever o 2025 PN7?

Jenifer Millard:
Claro. Um objeto chamado “quase-lua” ou “quasi-satélite” da Terra é um corpo que orbita o Sol, mas de tal forma que sua órbita está quase sincronizada com a da Terra, e do nosso ponto de vista ele parece acompanhar a Terra por longos períodos.

Diferentemente da nossa verdadeira Lua, esse objeto não está preso gravitacionalmente como satélite direto da Terra, mas ele traça uma trajetória que o coloca sempre “próximo” em termos de órbita e longitude.


2) Como sua equipe identificou o 2025 PN7, e o que fez vocês perceberem que ele é um desses corpos coorbitais especiais?

Jenifer Millard:
Usamos dados de rastreios automáticos de objetos próximos à Terra (NEOs). Quando analisávamos os registros e simulávamos órbitas retrospectivas, notamos que este asteroide — que agora chamamos 2025 PN7 — parece estar acompanhando a Terra em sua órbita há cerca de 60 anos, e deverá continuar por cerca de mais 60-70 anos antes de se afastar.

Esse longo período de companhia orbital, sem ser capturado como lua clássica, é o que o torna um quase-satélite interessante.


3) Qual é o tamanho estimado desse objeto e onde ele está em relação à Terra?

Jenifer Millard:
As estimativas indicam que o 2025 PN7 tem cerca de ≈ 20 metros de diâmetro — ou seja, comparável ao tamanho de um edifício comercial pequeno. Em termos de distância, embora “próximo” em escala astronômica, ele ainda está bem longe da Terra — ele não orbita a Terra como nossa Lua faz.


4) Você mencionou que esse asteroide está “há cerca de 60 anos” acompanhando a Terra. Como determinaram esse tempo?

Jenifer Millard:
Fizemos simulações orbitais traseiras com os parâmetros de sua trajetória, usando dados do observatório Pan‑STARRS e revisitando imagens arquivadas. A trajetória sugere que ele entrou nessa configuração de coorbitalidade com a Terra há cerca de seis décadas.


5) Qual a relevância científica de descobrir um corpo assim tão próximo da Terra em órbita semelhante, mas não exatamente preso?

Jenifer Millard:
Há várias implicações:

  • Permite estudar a população de objetos coorbitais da Terra — quantos podem existir, por quanto tempo ficam nesse estado.
  • Ajuda a entender os processos de ressonância orbital e captura temporária.
  • Pode indicar que o ambiente da Terra inclui mais “companheiros” invisíveis do que se pensava.
  • Finalmente, esses objetos podem oferecer oportunidades para missões de observação ou até de amostragem — dada sua proximidade relativa.

6) Existe algum risco para a Terra ou implicação de segurança com esse objeto?

Jenifer Millard:
Não acreditamos haver risco imediato. O 2025 PN7 está em uma trajetória estável de coorbitaleidade — não em rota de colisão. Ainda assim, o estudo desse tipo de objeto reforça a importância de monitoramento contínuo de asteroides próximos à Terra, porque mudanças orbitais podem ocorrer.


7) O que você espera que venha agora em termos de pesquisa sobre esse asteroide?

Jenifer Millard:
Pretendemos:

  • Obter mais observações espectroscópicas para determinar a composição do 2025 PN7, o que pode revelar se ele tem origem semelhante à nossa Lua ou se veio de outro ramo do sistema solar.
  • Modelar sua trajetória futura, para ver por quanto tempo continuará acompanhando a Terra e quando poderá se afastar.
  • Buscar outros objetos semelhantes — quase-luas ou mini-luas da Terra — para entender se esse é um fenômeno raro ou mais comum do que se pensava.

8) Para o público leigo: qual a principal surpresa ou novidade que essa descoberta traz?

Jenifer Millard:
A surpresa é que a Terra não está sozinha em termos de companheiros orbitais — além da nossa Lua, há corpos relativamente pequenos que “viajam conosco” por longos períodos. Isso mostra que nosso entorno espacial é mais dinâmico e diversificado do que costumamos imaginar.


9) Se você pudesse deixar uma mensagem para estudantes ou entusiastas de astronomia, o que diria?

Jenifer Millard:
Diga-se a vocês: fiquem curiosos. Observação, persistência e análise de dados fazem parte da aventura científica. Mesmo objetos pequenos e discretos podem ter grande significado. Olhem para o céu e façam perguntas — porque o universo está cheio de companheiros secretos que apenas aguardam serem descobertos.


10) Por fim: qual o nome desse asteroide e o que podemos esperar dele nos próximos anos?

Jenifer Millard:
Trata-se do 2025 PN7. Ele provavelmente continuará em coorbitalidade com a Terra por cerca de mais 60 anos antes de sua trajetória se desviar. Enquanto isso, podemos observá-lo, estudar e aprender com ele — e quem sabe usar esse tipo de objeto como laboratório natural para explorar as origens e a dinâmica do nosso Sistema Solar.


Conclusão e agradecimentos

O SpaceBetween agradece à astrônoma Jenifer Millard pela entrevista e pela generosidade em compartilhar seu conhecimento sobre a recém-identificada quase-lua 2025 PN7, que acompanha silenciosamente a Terra há décadas.

Descobertas como esta ampliam nossa compreensão do ambiente orbital do nosso planeta e nos lembram que o cosmos ainda guarda vizinhos discretos, complexos e fascinantes. A curiosidade científica que move pesquisas como essa também move nosso propósito: aproximar o público das maravilhas — e dos mistérios — do Universo.


Obrigada pelo convite e pelo interesse no nosso trabalho. É sempre um prazer poder ajudar a divulgar ciência e inspirar mais pessoas a olhar para o céu com curiosidade. O Universo ainda tem muito a nos revelar — e estamos apenas começando.”

— Jenifer Millard
Astrônoma do Fifth Star Labs, no País de Gales