Hoje vamos entrevistar a astrônoma Beatriz Villarroel, líder do projeto VASCO, responsável por uma das pesquisas mais intrigantes da astronomia moderna. Ao analisar registros fotográficos do céu feitos antes de 1957, ela identificou milhares de objetos misteriosos — os chamados Transients — que apareceram e desapareceram muito antes de qualquer satélite humano existir em órbita.
O que são esses pontos que surgem subitamente nos céus antigos e nunca mais retornam?
Fenômenos naturais desconhecidos? Falhas fotográficas? Ou algo que desafia o que pensamos saber sobre o cosmos?
Nesta entrevista, Beatriz fala sobre as descobertas, o impacto científico, o ceticismo da comunidade e os próximos passos dessa investigação que pode reescrever capítulos inteiros da história da astronomia.
Prepare-se. O céu do passado pode estar nos contando algo que só agora estamos prontos para entender.

Beatriz Villarroel – Astrônoma, líder do projeto VASCO
1) Beatriz, para começar: o que exatamente são os “transients” que o VASCO encontrou?
Beatriz Villarroel:
Transients são objetos luminosos que aparecem em uma fotografia astronômica e depois desaparecem em imagens posteriores do mesmo campo estelar. Eles não seguem o padrão de estrelas, planetas, satélites ou asteroides conhecidos. Encontramos milhares deles em fotografias históricas, o que levanta novos questionamentos sobre o que estamos observando.
2) Por que analisar fotos antigas do céu, em vez de focar apenas em telescópios modernos?
Beatriz Villarroel:
As fotos antigas funcionam como uma máquina do tempo. Elas registram o céu antes da era espacial. Se encontramos ali objetos que desaparecem sem explicação, sabemos que não podem ser satélites modernos, drones, lixo espacial ou aviões. Isso torna as evidências muito mais limpas do ponto de vista científico.
3) Quando vocês perceberam que havia algo realmente fora do padrão?
Beatriz Villarroel:
Quando vimos objetos que não apenas desapareciam, mas que apareciam múltiplos ao mesmo tempo no mesmo campo, formando padrões geométricos incomuns. Esse tipo de repetição não combina com fenômenos naturais aleatórios. Foi o ponto em que percebemos que valia aprofundar a investigação.
4) Existem explicações naturais possíveis para esses transients?
Beatriz Villarroel:
Sim. Sempre começamos pelas hipóteses naturais: supernovas rápidas, asteroides refletindo luz, eventos atmosféricos, artefatos da placa fotográfica ou erros de processamento. A ciência precisa ser conservadora. Mas mesmo depois de filtrarmos todas essas hipóteses, ainda restam casos sem explicação satisfatória.
5) Por serem de antes de 1957, algumas pessoas associam esses objetos a inteligência extraterrestre. Qual sua posição sobre isso?
Beatriz Villarroel:
Como cientista, não salto para a hipótese extraterrestre — mas também não a excluo. A abordagem correta é investigar com rigor e coletar mais dados. Se um dia a hipótese tecnológica não humana for a única que restar, então teremos que considerá-la com seriedade.
6) O VASCO já encontrou padrões inteligentes nesses eventos?
Beatriz Villarroel:
Encontramos padrões interessantes, como múltiplos pontos aparecendo ao mesmo tempo e no mesmo quadro. Porém, ainda não temos evidência suficiente para afirmar inteligência. É preciso muito cuidado para não confundir coincidência com intenção.

transients descobertos no estudo aparecendo e sumindo do telescópio
7) Se não são eventos naturais conhecidos, o que vocês investigam agora?
Beatriz Villarroel:
Estamos comparando catálogos digitais modernos com os registros fotográficos históricos. Queremos responder: os objetos que apareceram e sumiram voltam em algum momento? Se voltam, podemos restringir hipóteses. Se nunca mais aparecem, isso é outro tipo de mistério.
8) Como a comunidade científica reagiu ao seu estudo?
Beatriz Villarroel:
No início houve muito ceticismo, o que é esperado em temas fora do convencional. Mas com a recente revisão por pares e publicação, o assunto começou a ser tratado com mais respeito. Agora outros pesquisadores já demonstram interesse em colaborar.
9) O público leigo sempre pergunta: “Isso prova vida extraterrestre?”. O que você responde?
Beatriz Villarroel:
Prova? Não. Indícios? Talvez. Prova exige repetição, mensuração, observação contínua e explicação matemática. Mas posso afirmar que estamos diante de algo digno de investigação, e não de algo para ser descartado sem análise.
10) O que vem agora para o VASCO? Qual é o próximo passo?
Beatriz Villarroel:
Usar inteligência artificial para vasculhar milhões de imagens e acelerar a filtragem dos candidatos. E principalmente observar novos transients em tempo real, com telescópios modernos. Só com novas observações poderemos dar o próximo salto científico.
Conclusão e agradecimentos
O SpaceBetween agradece profundamente à astrônoma Dr.ª Beatriz Villarroel por compartilhar seu tempo, seu conhecimento e sua visão conosco nesta entrevista tão especial. Conversar sobre o projeto VASCO e sobre os enigmáticos transients registrados antes de 1957 foi, para nós, uma experiência enriquecedora e inspiradora.
O universo ainda guarda mistérios que desafiam nossa compreensão — e pesquisadores como Beatriz nos lembram do valor de olhar para o desconhecido com rigor científico, curiosidade genuína e coragem intelectual. Suas descobertas e seu método cuidadoso ampliam não apenas nossa perspectiva sobre o céu, mas também sobre o próprio papel da ciência: questionar, investigar, duvidar e, acima de tudo, continuar procurando respostas.
Agradecemos também pela clareza, pela abertura ao diálogo e pelo cuidado em trazer ao público um tema tão complexo de forma responsável e instigante. Foi uma honra registrar este momento e ajudar a levar sua pesquisa a mais pessoas ao redor do mundo.
Que esta entrevista inspire novos olhares para o céu — e novas perguntas.
Porque é assim que a ciência avança. É assim que encontramos o inesperado.
É assim que desvendamos o cosmos, passo a passo.
Agradeço aos leitores, à equipe do SpaceBetween e a todos que apoiam a pesquisa aberta, independente e curiosa. Continuem olhando para o céu — e continuem fazendo perguntas. É assim que a ciência avança, e é assim que descobrimos o que ainda está oculto entre as estrelas.”
— Beatriz Villarroel
Astrônoma, líder do projeto VASCO

