A descoberta de uma das maiores superestruturas já observadas no universo
Astrônomos identificaram recentemente uma estrutura colossal no universo em larga escala, batizada de Quipu — uma imensa cadeia formada por 68 aglomerados de galáxias conectados entre si, configurando uma das maiores superestruturas cósmicas já detectadas pela ciência moderna. A descoberta adiciona uma nova peça fundamental ao quebra-cabeça da arquitetura do universo, reforçando a ideia de que o cosmos é organizado como uma teia cósmica gigantesca, sustentada principalmente pela matéria escura.
O nome Quipu não foi escolhido por acaso. Ele faz referência ao antigo sistema de registro dos incas, composto por cordões e nós, utilizado para armazenar informações complexas. A analogia é perfeita: assim como os quipus incas conectavam dados em uma rede simbólica, a superestrutura Quipu conecta galáxias ao longo de filamentos invisíveis que atravessam o universo por centenas de milhões de anos-luz.
🌌 O que exatamente é a estrutura “Quipu”?
A Quipu é classificada como uma superestrutura cósmica, o maior nível conhecido de organização do universo. Diferente de uma galáxia ou mesmo de um aglomerado de galáxias, superestruturas são conjuntos gigantescos de aglomerados, ligados gravitacionalmente por filamentos de matéria escura e gás quente.
Esses filamentos fazem parte da chamada teia cósmica, uma rede tridimensional que define onde as galáxias se formam, crescem e evoluem.
Principais características da Quipu:
- 🔗 68 aglomerados de galáxias interconectados
- 📏 Extensão de centenas de milhões de anos-luz
- 🕸️ Estrutura filamentar altamente coerente
- 🧲 Dominada pela influência gravitacional da matéria escura
- 🌍 Inserida no contexto da estrutura em larga escala do universo
Cada aglomerado funciona como um nó dessa rede, enquanto os filamentos atuam como pontes gravitacionais, canalizando matéria ao longo do tempo cósmico.

Com 1,3 bilhões de anos-luz de largura, Quipu é oficialmente o maior objeto do Universo.
🔭 Como os astrônomos detectaram a Quipu?
Detectar algo dessa magnitude exige olhar para o universo de forma estatística e tridimensional. A Quipu não “salta aos olhos” em uma imagem comum — ela emerge quando milhões de dados são combinados.
Os cientistas utilizaram:
- Levantamentos espectroscópicos de galáxias
- Medidas precisas de redshift (desvio para o vermelho), que indicam distância e velocidade
- Catálogos de aglomerados de galáxias
- Modelos cosmológicos e simulações computacionais
- Observações em múltiplos comprimentos de onda (óptico, raios-X e micro-ondas)
Projetos como o Sloan Digital Sky Survey foram fundamentais para esse tipo de análise. Ao mapear milhões de galáxias em três dimensões, os astrônomos conseguem identificar padrões ocultos que revelam a verdadeira geometria do universo.
🕸️ A teia cósmica: o esqueleto invisível do universo
A descoberta da Quipu reforça um dos conceitos mais importantes da cosmologia moderna: o universo não é homogêneo em pequenas escalas. Em vez disso, ele se organiza como uma espuma cósmica, composta por:
- Filamentos: estruturas alongadas ricas em matéria escura
- Nós: regiões densas onde vivem os aglomerados de galáxias
- Vazios: imensas regiões com pouquíssima matéria
A Quipu representa um dos maiores filamentos conectados já identificados, funcionando como uma verdadeira autoestrada cósmica, por onde galáxias e gás fluem lentamente ao longo de bilhões de anos.

Image credit: ESA & Planck Collaboration / Rosat/ Digitised Sky Survey
🧲 O papel crucial da matéria escura
Sem a matéria escura, estruturas como a Quipu simplesmente não existiriam.
Embora invisível, a matéria escura:
- Representa cerca de 85% de toda a matéria do universo
- Cria os poços gravitacionais onde galáxias se formam
- Mantém coesos os filamentos da teia cósmica
- Explica por que estruturas tão grandes permanecem estáveis
A Quipu é mais uma evidência indireta poderosa da presença e influência da matéria escura em escalas gigantescas.
🕰️ Um fóssil da evolução do universo
Superestruturas como a Quipu são verdadeiros fósseis cósmicos. Elas começaram a se formar logo após o universo se tornar transparente à luz, centenas de milhões de anos após o Big Bang, crescendo lentamente sob a ação da gravidade.
Estudar essas estruturas permite aos cientistas:
- Reconstruir a história da formação do universo
- Entender como pequenas flutuações iniciais deram origem a estruturas colossais
- Investigar a influência da energia escura na expansão do cosmos
- Testar modelos de crescimento de estruturas ao longo do tempo
📐 Desafios aos modelos cosmológicos
O tamanho, a coerência e a complexidade da Quipu levantam questões importantes:
- Existem limites naturais para o tamanho das estruturas cósmicas?
- O Modelo Cosmológico Padrão (ΛCDM) explica totalmente estruturas tão vastas?
- A distribuição da matéria escura está sendo corretamente modelada?
Cada nova superestrutura descoberta ajuda a refinar — ou desafiar — nossas teorias fundamentais sobre o universo.
🌠 Comparação com outras superestruturas famosas
A Quipu se junta a um seleto grupo de gigantes cósmicos já conhecidos:
- Grande Muralha Sloan – uma das maiores estruturas já catalogadas;
- Grande Muralha do CfA – descoberta nos anos 1980;
- Complexo Hércules–Corona Borealis – uma das maiores regiões conhecidas do universo observável;
Superaglomerado de Laniakea.
O estudo dessas estruturas mostra que o universo, em suas maiores escalas, é muito mais organizado do que aparenta.

Superaglomerado de Laniakea
🤯 O impacto filosófico da descoberta
Quando observamos a Quipu, somos confrontados com uma realidade desconcertante:
galáxias — cada uma com centenas de bilhões de estrelas — tornam-se meros pontos em uma rede ainda maior.
A Quipu nos lembra que:
- Habitamos um universo profundamente conectado
- A realidade se manifesta em camadas de escala inimagináveis
- O cosmos guarda padrões que só agora começamos a compreender
É uma descoberta que não apenas amplia nosso conhecimento científico, mas também redefine nosso lugar no universo.
🔎 Conclusão
A identificação da superestrutura Quipu marca mais um avanço crucial na compreensão da arquitetura cósmica. Ela confirma previsões teóricas, fortalece evidências sobre a matéria escura e expande os limites do que consideramos possível em termos de organização do universo.
Cada nova estrutura descoberta é um convite a olhar mais longe — e mais profundamente — para a verdadeira natureza do cosmos.
📚 Referências e Leituras Complementares
- Live Science
https://www.livescience.com/space/astronomy/astronomers-discover-quipu-the-single-largest-structure-in-the-known-universe - NASA – Large-Scale Structure of the Universe
https://ntrs.nasa.gov/api/citations/19940010643/downloads/19940010643.pdf - ESA – The Cosmic Web
https://www.esa.int/esearch?q=The+Cosmic+Web - ESA – Dark Matter and the Structure of the Universe
https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/Dark_matter - Sloan Digital Sky Survey (SDSS)
https://www.sdss.org/ - Annual Review of Astronomy and Astrophysics – Galaxy Clusters and Superstructures
https://www.annualreviews.org/content/journals/10.1146/annurev.aa.26.090188.003215 - Scientific American – The Cosmic Web
https://www.scientificamerican.com/article/the-cosmic-web/

